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Thursday, 13 September 2012

Bath County - A maior central hidroeléctrica reversível do Mundo

O que é uma central ou usina hidroeléctrica reversível? Antes de falarmos de usinas reversíveis, vamos fazer uma rápida abordagem sobre o funcionamento de uma usina hidroeléctrica convencional.

 As usinas hidroeléctricas utilizam a energia da água, convertendo-a em electricidade através de uma mecânica elementar. Na verdade, as usinas hidroeléctricas são baseadas em um conceito simples: A água represada possui energia potêncial gravitacional que se converte em energia cinética. Essa energia cinética é transferida às turbinas, que movimentam o gerador;  O gerador gera energia eléctrica que é transformada e transportada por linhas de transmissão e distribuição para os respectivos consumidores.

Durante a transmissão, parte dessa energia é absorvida sob a forma de calor que aquece a linha de transmissão. Para chegar ao usuário final, a energia eléctrica passa novamente por transformadores de acordo o desenho das linhas de distribuição. Finalmente ao chegar ao usuário ele pode transformá-la em outras formas de energia, como por exemplo energia sonora, ao ligar um aparelho de som, transformá-la em energia luminosa, quando acendemos uma lâmpada, ou mecânica ao acionar-se um motor eléctrico. Veja em menos de 1 minuto esse video ilustrativo:


Aqui estão os componentes básicos de uma usina hidroeléctrica convencional (ver foto em anexo):
Barreira ou represa  - a maioria das usinas hidroeléctricas utiliza uma barreira que armazena  a água e cria um grande reservatório

Canal - os portões ou comportas da barreira se abrem e a água flui por gravidade através do duto que vai para a turbina.
Turbina - a água atinge as grandes lâminas da turbina, fazendo-as girar. A turbina é acoplada a um gerador localizado acima dela. O tipo mais comum de turbinas para as usinas hidroeléctricas é a Francis, que se parece com um grande disco com lâminas curvas
Geradores - as lâminas da turbina giram e movimentam uma série de ímanes dentro do gerador. Os ímanes gigantes geram um fluxo magnético rotativo, produzindo deste modo a corrente alternada (AC).
Transformador - o transformador dentro da casa de força converte a voltagem de baixa tensão gerada em alta tensão. A energia gerada é depois transmitida e distribuida aos consumidores através das linhas de transmissão e subestações eléctricas 
Linhas de transmissão - Quatro linhas saem de cada usina de energia: As três fases de energia, que são produzidas simultaneamente, mais um linha do neutro ou terra comum para as três fases

Fluxo de saída - A água usada passa por algumas tubulações e volta para o rio;
Eixo entre a turbina e o gerador

Armazenamento bombeado (ou reversível) 
A maioria das usinas hidroeléctricas funciona da maneira descrita anteriormente. Entretanto, existe outro tipo de usina hidroeléctrica chamada hidroeléctrica de armazenamento bombeado.  Em uma usina hidroeléctrica convencional, a água do reservatório passa pela usina, sai e volta para o rio.

Uma usina de armazenamento bombeado tem dois reservatórios:
Reservatório superior - como uma usina hidroeléctrica convencional, uma barreira cria o reservatório.  A água neste reservatório passa pela usina hidroeléctrica para criar electricidade;

Reservatório inferior - a água que sai da usina hidroeléctrica vai para um reservatório inferior em vez de voltar para o rio;
Utilizando uma turbina reversível, a usina pode bombear a água de volta para o reservatório superior. Isto é feito nos horários fora de pico. Em resumo, o segundo reservatório preenche o reservatório superior. Ao bombear a água de volta para o reservatório superior, a usina tem mais água para gerar electricidade durante os horários de pico de consumo.
Um exemplo de central hidroeléctrica reversível é Bath County - a maior central hidroeléctrica reversível do Mundo.

Bath County - O rejuvenescimento do gigante silencioso
Durante quase 20 anos, a usina hidroeléctrica reversível de Bath County, no estado da Virgínia, nos EUA, foi a maior usina de sua categoria. Para preparar esse "gigante silencioso" para o futuro, a Voith modernizou as seis turbinas da usina em 2009. Com o significativo aumento em sua capacidade máxima, possibilitado pela modernização, Bath County retornou ao topo na lista das usinas reversíveis mais potentes do mundo.

A maior parte do complexo, com quase 20 andares de altura, encontra-se oculta sob a superfície da água. Isso deu à usina o apelido de "gigante silencioso". Em horários de ponta, quando cerca de 500.000 domicílios e empresas na Virgínia estão consumindo energia, as comportas se abrem para as tubulações subterrâneas provenientes do reservatório superior, e mais de 850 metros cúbicos de água por segundo fluem através das seis turbinas instaladas na parte inferior do edifício.
Novas turbinas-bombas para uma maior potência

As turbinas-bombas da usina estiveram em operação durante quase duas décadas. Em 2003, a Voith foi contratada para modernizar a usina. Por um lado, o objectivo era assegurar que a planta pudesse continuar a ser operada rentavelmente. Por outro lado, desejava-se aumentar a eficiência das turbinas. Para preparar a usina para o futuro, os especialistas da Voith analisaram o seu potencial de otimização realizando testes sofisticados e simulações por computador. Rapidamente ficou claro que a substituição do sistema de ventilação e de resfriamento, bem como um novo projecto do enrolamento do estator, permitiriam alcançar um grau de eficiência significativamente maior.

De volta ao 1º lugar na classificação de potência
O novo conceito dos enrolamentos dos estatores alterou a transposição original de 360 graus para 540 graus. Esse desenho construtivo aumentou a capacidade máxima das turbinas para 530 megawatts – um aumento de aproximadamente 25 por cento. A recuperação da usina de Bath County foi concluída em seis anos. Actualmente, a usina hidroeléctrica reversível continua sendo um fornecedor de energia eficiente e confiável. Com uma potência total superior a 2.700 megawatts desde a sua modernização, Bath County mais uma vez se tornou a usina hidroeléctrica reversível mais potente do mundo.

Actualmente, as centrais reversíveis vão tomando diferentes configurações, dependendo da necessidade energética e do fornecimento de água nas regiões onde são edificadas.

veja o video (em inglês)  sobre o projecto Bath County:


Refêrencias:
2 - http://www.howstuffworks.com

Compilado por:

Emméry Macedo

Wednesday, 5 September 2012

Nova tecnologia solar gera eletricidade e hidrogénio

Cientistas americanos desenvolveram novas células solares que durante o dia geram eletricidade e produzem hidrogénio. Esta inovação é possível devido a dois novos tipos de nanocristais que substituem as moléculas orgânicas tradicionais dos painéis solares.
Uma equipa de investigadores da Bowling Green State University, nos Estados Unidos, desenvolveu células solares que produzem eletricidade e hidrogénio.


Num video publicado no Journal of Visualized Experiments (JoVE), a equipa responsável pelo projecto explica o processo que envolve a substituição das tradicionais moléculas orgânicas existentes nos painéis solares por nanocristais feitos com seleneto de zinco, sulfeto de cádmio e um catalisador de platina.


Um nanocristal em forma de bastão, composto por sulfeto de cádmio, produz hidrogénio a partir da água, através de uma reação conhecida como fotocatálise. O segundo nanocristal, constituído por camadas de seleneto de zinco, é fotovoltaico e gera electricidade.


Com esta dupla capacidade, o painel para além de fornecer energia durante o dia também produz hidrogénio que alimentará uma célula de combustível à noite. A combinação destes dois nanocristais permite o fornecimento de energia limpa durante 24 horas por dia. Estes painéis são também mais resistentes e duráveis. “São menos suscetíveis ao calor e radiação ultravioleta e também não sofrem os problemas de degradação que afetam os seus similares orgânicos.” Os cientistas estimam que durem mais que os 20 anos de vida dos painéis solares convencionais.

Tuesday, 4 September 2012

Gostaria de saber qual a necessidade energética da cidade de Luanda?


Gostaria de saber qual a necessidade energética da cidade de Luanda, é que na tua entrevista à revista Economia & Mercado (E&M) estimaste-a em 400 MW mas no teu mais recente artigo, "ENERGIA PARA TODOS EM 5 ANOS - UMA FALSA PROMESSA ELEITORAL", em que citas o ex governador de Luanda para área económica o valor avançado é de 700 MW.

Qual, em tua opinião, é o valor que mais se aproxima da realidade? 

Resposta:

1 –  Para situar alguns leitores vou descrever o parágrafo em relação a primeira observação: "A barragem hidroeléctrica de Capanda é a maior unidade de produção de electricidade existente actualmente no país, com 520 Megawatts (MW) de capacidade instalada. Capanda fornece energia eléctrica a Luanda, que recebe a maior parte da produção em cerca de 280MW contra os 400MW de potência necessária para alimentar a capital do Pais”.Fim de citação.
http://angolapowerservices.blogspot.com/2012/07/entrevista-completa-revista-economia.html

Note que eu faço referência aos 400MW como sendo a potência necessária, e não suficiente. Portanto, os 400MW representam a demanda energética da cidade de Luanda sobre o sistema de produção e distribuição de energia, as vezes também considerado como pico da carga ou demanda máxima. Esta demanda varia de acordo com a carga total connectada ao sistema eléctrico ou com o seu factor de carga.  

A cidade de Luanda tem o seu fornecimento normal de energia, quando o seu consumo ou demanda  situa-se abaixo da sua capacidade de produção ou distribuição disponível. Quando o sistema de produção e distribuição não é capaz ou suficiente para satisfazer a demanda da rede eléctrica,  diz-se que existe um défict energético. 


O défict energético obriga a EDEL ou a ENE a fazer restrições no fornecimento de energia a muitos consumidores. Isto normalmente acontece quando os niveis de produção de energia estão longe de satisfazer a carga eléctrica da cidade. A existência do déficit energético remete-nos a segunda observação contida no seguinte parágrafo: 
“Luanda precisa de 700 megawatts (MW), de acordo com o ex-governador de Luanda para a área económica, Miguel Catraio, a exploração de energia até este ano era feita com um déficit de 47%, ou seja em Luanda, em média, está diariamente disponível, no período das 8 horas a meia-noite, 310 megawatts. A situação agrava-se a partir da meia-noite, período em que estão disponíveis apenas 247 megawatts, sendo que no resto do país a situação é pior” Fim de citação.
 http://angolapowerservices.blogspot.com/2012/08/energia-para-todos-em-5-anos-uma-falsa.html)


Como se pode observar, o Sr. Miguel Catraio fazia menção ao déficit de energia eléctrica, e considerava que para suprir esse déficit seria necessário fornecer a cidade cerca de 700MW.

2 -  Qual, em tua opinião, é o valor que mais se aproxima da realidade?

Para uma análise qualitativa precisaria de alguns dados estatísticos sobre o sistema de distribuição geral da cidade de Luanda, actuais niveis de consumo nas zonas periféricas, bairros sub-urbanos, novas centralidades e zonas habitacionais, sistemas de iluminação pública, zonas ou bairros sem rede de distribuição eléctrica e a demanda do sector industrial. Infelizmente, esses dados dificilmente estão disponíveis para o cidadão comum consultar.

Contudo, se olharmos para os programas de desenvolvimento urbano e industrial da cidade de Luanda, podemos facilmente concluir que 700MW de energia serão insuficientes para o fornecimento de energia qualitativa para o consumo doméstico, iluminação pública e zonas industriais. Lembre-se que Luanda já teve, segundo dados da EDEL estimados pela área de comercialização e distribuição, uma demanda energética na ordem dos 540MW em Abril de 2011 contra os 480MW disponiveis, representando neste caso um déficit de 60MW. Portanto, não estamos muito longe da cifra dos 700MW.

Tuesday, 28 August 2012

ENERGIA PARA TODOS EM 5 ANOS - UMA FALSA PROMESSA ELEITORAL

A abordagem desse artigo deve-se ao facto de várias pessoas e entidades terem solicitado ao nosso blogue uma análise ou parecer sobre as promessas para o sector energético contidas nos programas eleitorais do MPLA. 

Essa análise foi feita tendo em conta também algumas inquietações, dúvidas e perguntas formuladas pelos nossos seguidores, entidades afins e alguns debates no Facebook durante a campanha eleitoral. Durante esses debates sempre considerei que a proposta de produzir 5000 megawatts (MW) de energia em 2016 era equivalente a proposta feita em 2008, de se construir um milhão de fogos habitacionais em 2012.  

Promessas de 2008 no domínio da energia  

a) - Assegurar o acesso a electricidade a cerca de 100% da população das áreas urbanas, a 60% das zonas peri-urbanas e a 30% das zonas rurais de todas as províncias. 

Realidade no fornecimento de energia só em Luanda: 

“Luanda precisa de 700 megawatts (MW), de acordo com o ex-governador de Luanda para a área económica, Miguel Catraio, a exploração de energia até este ano era feita com um deficit de 47%, ou seja em Luanda, em média, está diariamente disponível, no período das 8 horas a meia-noite, 310 megawatts. A situação agrava-se a partir da meia-noite, período em que estão disponíveis apenas 247 megawatts, sendo que no resto do país a situação é pior”.

Promessas de 2012

b) - Gerar 1500 megawatts de energia até 2014, de um total de 5000 megawatts até 2016.

c) - Instalar sistemas públicos de abastecimento de energia em 82 sedes municipais, das 166 existentes, e em 271 sedes comunais, de um total de 531, até final de 2014.

d) - Operacionalizar 30 megawatts de capacidade gerada a partir de pequenas centrais hídricas, de um total de 130 megawatts a atingir até final da década.

Análise:

1- Olhando para os pontos do Programa anterior e tendo em conta o crescimento exponencial da demanda pela energia eléctrica, versos a oferta, acha que os pontos acima referidos são exequíveis dentro horizonte temporal definido?

Infelizmente, o MPLA no seu programa para 2012-2017 não apresenta o balanço do cumprimento das promessas do sector eléctrico da legislatura passada. Contudo, podemos facilmente notar que o acesso a electricidade a cerca de 100% da população das áreas urbanas não é um facto em várias cidades de Angola, sem precisarmos de avançar exemplos. Isso deve-se grandemente ao deficit de produção energética e a atrasos na conclusão dos projectos de construção de linhas de transmissão e distribuição eléctrica durante o mesmo período. Porem, pode-se constatar em algumas cidades e municípios melhorias no fornecimento de energia a população.

- Operacionalizar 30 megawatts de capacidade gerada a partir de pequenas centrais hídricas, de um total de 130 megawatts a atingir até final da década:

Essa meta é exequível se as condições financeira, técnica e humana forem criadas. Se olharmos para os projectos de reabilitação e ampliação das barragens da Matala, Mabubas, Lumaum e Gove, facilmente podemos aferir que se existirem recursos essa meta pode ser alcançada. Contudo, não podemos perder de vista que na carteira do Ministério da Energia e Águas sempre existiram vários projectos, cuja a sua implementação contínua dependente da componente financeira. Esta situação me leva em crer que o país não tinha condições de executar tantos projectos em simultâneo; Por exemplo, o adiamento dos projectos de construção e reabilitação das barragens hidroeléctricas do leste de Angola, como a barragem de Luachimo.

- Gerar 1500 megawatts de energia até 2014, de um total de 5000 megawatts até 2016.

Segundo o Programa do MPLA: “ Com vista a remover o déficit de energia eléctrica do País, está em curso a reabilitação das barragens do Gove, Mabubas, Lomaum e Cambambe I, a concluir em 2012, e que aumentarão em 295.6 megawats a capacidade de energia eléctrica de Angola. Estes projectos, conjugados com a implementação dos projectos estruturantes no Soyo, Cambambe, Laúca, Caculo Cabaça e Keve a serem concluídos em 2016, e que gerarão uma capacidade adicional de 5.000 megawatts, farão com que, a partir de 2013, o abastecimento de energia eléctrica melhore significativamente no País e que a partir de 2017 os principais problemas do sector estejam resolvidos.” Fim de citação.

A direcção nacional de energia do ministério de energia e águas, publicou alguns dados do sector em 2008. Estimava-se que a produção de electricidade em 2008 era de 1.289 MW. Portanto, tendo em conta os dados apresentados no programa do MPLA, bem como o surgimento de algumas centrais térmicas em várias províncias e a possível conclusão de Cambambe I; posso considerar que Angola poderá possivelmente contar com uma produção de cerca de 1500MW em 2014.

Se olharmos para os projectos mencionados acima e considerando os dados publicados recentemente, facilmente percebe-se que as barragens de Laúca e Caculo Cabaça não estarão concluídas em 2016.

Segundo uma publicação do jornal de Angola, a barragem de Laúca orçada em 3,7 mil milhões de dólares será a maior barragem a ser construída no país e terá capacidade para produzir 2.067MW de energia. Estima-se que até ao primeiro semestre de 2016 já será possível a produção de 500MW de energia.

O ministério da energia e água tem estado a fazer estudos para a construção das barragens de Caculo Cabaça e Keve. Estes projectos estiveram sempre dependentes da condição financeira para a sua execução.

Durante o Conselho Consultivo Alargado do Ministério da Energia e Águas (Minea), realizado em Agosto deste ano na cidade do Lubango, o ministro da João Baptista Borges referiu que está em preparação o lançamento do concurso para a construção do aproveitamento hidrográfico de Caculo Cabaça, com 2.100MW, e a reabilitação do aproveitamento hidrográfico de Luachimo, com 32MW, na Lunda-Norte, além da construção dos projectos de Chiumbe Dala, com 12MW, na Lunda-Sul, com ligação ao Luena, dos sistemas de transporte de alta tensão associados à central do Soyo, Cambambe II e Laúca. Contudo, o mesmo não se pronunciou sobre o projecto Keve e o projecto das futuras centrais térmicas do Soyo associado ao projecto Angola LNG.

Portanto, ainda existem algumas incertezas sobre a execução de alguns projectos anunciados pelo MPLA, nomeadamente Caculo Cabaça, Soyo e Keve.

Quando as obras de reabilitação e modernização da barragem de Cambambe estiverem concluídas, esta vai ter uma capacidade agregada de 960MW. Estima-se que a centra 1 e 2 produzirão 260MW e 700MW respectivamente.

Se considerarmos a produção agregada estimada para as barragens de Cambambe II e Lúaca para o ano de 2016, teríamos um total de 1200MW. Contudo, como os projectos de engenharia não são projectos linearmente matemáticos, vários factores acabam sempre por afectar a sua execução, condicionando assim a conclusão das diferentes fases nos tempos programados. Esses factores incluem problemas de ordem ambiental e estrutural, de fabrico dos equipamentos e materiais, comissionamento e testes de equipamentos, transporte, finanças, recursos humanos, grandes acidentes ou incidentes, etc. Um exemplo recente foi a reabilitação da barragem do Gove, que teve o seu iniciou em 2001 e somente em Agosto de 2012 foi inaugurada. A barragem do Gove produz somente 60MW de energia.  

Não querendo ser pessimista e ainda assim considerando que os projectos de cambambe II e Lúaca sejam executados conforme estimativas apresentadas, teríamos ainda a necessidade de produzir cerca de  2300MW para atingirmos a cifra de 5000MW em 2016.

O governo do MPLA precisaria de grandes recursos financeiros para executar todos os projectos programados. Se termos em conta que o projecto Laúca está orçado em cerca de 3.7 mil milhões de dólares, podemos estimar que cerca de 10.5 mil milhões de dólares seriam precisos para desenvolver as barragens hidroeléctricas. Recentemente, o Presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, disse que o governo iria investir cerca de 17 mil milhões de dólares para melhorar o sector eléctrico em Angola. Contudo, esses recursos ainda não estão disponíveis, havendo a necessidade de se fazer recurso a algumas linhas de crédito internacionais.

Contudo, ainda que Angola tivesse esses recursos financeiros disponíveis, o outro handicap seria a componente dos recursos humano e a capacidade tecnológica em desenvolver todos esses projectos em apenas 5 anos. Angola continua a depender grandemente da cooperação com empresas estrangeiras para a execução da maior parte dos seus projectos energéticos.

Portanto, apesar de não ter dados específicos sobre os projectos de Caculo Cabaça, Soyo e Keve, não acredito sinceramente que essa meta seja alcançada em 2016, tendo em conta a realidade do sector eléctrico e a experiência de Angola com os projectos de Capanda, Cambambe, Angola LNG e a Refinaria do Lobito. Nestas condições, penso que Angola não vai poder produzir 5000MW em 2016.

- Instalar sistemas públicos de abastecimento de energia em 82 sedes municipais, das 166 existentes, e em 271 sedes comunais, de um total de 531, até final de 2014:

 Quanto a instalação dos sistemas públicos de abastecimento de energia em municípios e comunas conforme indicado acima; O governo precisa criar incentivos para o surgimento de mais empresas no sector eléctrico a nível nacional. A existência dessas empresas iria permitir aos governos locais conceberem e coordenarem diversos projectos de electrificação de forma independente. Uma das limitações na execução desses projectos é a quantidade de empresas que actuam a nível nacional. Muitas dessas empresas já fazem enormes sacrifícios para satisfazer a quantidade de projectos em carteira. Do ponto de vista qualitativo, penso que isso é exequível dentro dos 5 anos pois 2014 me parece uma meta próxima tendo em conta a realidade dos nossos municípios e comunas, onde grande parte da sua rede eléctrica é obsoleta e em alguns casos inexistente. Um bom exemplo nesse sentido é a construção da nova central térmica do Soyo a ser inaugurada brevemente, sem no entanto existir uma nova rede de distribuição eléctrica para o município.

2- Que impacto poderá causar caso sejam concretizados, ou, se for o caso, qual seria se não forem concretizados?

O grande impacto seria o aumento da qualidade de vida das populações em algumas localidades do país, com a melhoria do sistema de distribuição a nível da rede doméstica e de iluminação pública. Por outro lado, aumentaríamos a disponibilidade de energia eléctrica para o desenvolvimento industrial, diminuindo em alguns casos o recurso a fontes alternativas. Caso contrário, vamos continuar a ter um sistema de distribuição de energia com elevado déficit energético, ineficiente e com pouca qualidade. Não podemos esquecer que uma boa parte das empresas que operam no país têm geradores próprios, que utilizam em caso de perturbações no sistema eléctrico.

3- Na visão do Engenheiro, qual seria a melhor alternativa para combater o elevado déficit de energia eléctrica?

A melhor alternativa é sempre aumentar os níveis de produção tendo em conta as diversas fontes de energia e recursos disponíveis. Angola é um pais rico em recursos hídricos. Se desenvolvermos os maiores projectos das bacias do kwanza e Cunene estaremos a caminhar nesse sentido. Penso que essa está a ser a aposta do governo, tendo em conta os projectos das barragens do Laúca e Caculo Cabaça. Precisamos de igual modo materializar os projectos da bacia do Cunene, os  projectos de Jamba Ia Oma, Jamba Ia Mina e Baynes, de maneira a melhorarmos a produção de energia na região sul de Angola.

Tendo em conta a previsão do arranque para este ano do projecto Angola LNG, devíamos começar a projectar a construção de centrais térmicas de ciclo combinado para o município do Soyo. Se projectarmos a construção de centrais térmicas com capacidades na ordem de 400MW estaríamos num bom caminho. A energia solar seria também uma outra aposta para as zonas rurais e a iluminação pública fora das localidades urbanas. Podemos igualmente criar centrais eléctricas solares e fornecer a energia produzida ao nosso sistema de linhas de transmissão eléctrica. Países como a Alemanha bateram o recorde mundial com a produção de cerca de 20 mil megawatts hora de energia solar. Angola encontra-se geograficamente numa posição adequada para o desenvolvimento da energia solar.

4 - Na sua análise quanto é que Angola precisa de energia para alimentar a economia e as famílias? Quanto é que precisa de investir em dólares e em que áreas específicas?

Tendo em conta os planos de desenvolvimento do executivo Angola 2025, a quem já fala em Angola 2050. Penso que precisaríamos de pelo menos 20 mil megawatts. Lembra-se que os níveis de produção sul-africanos situam-se acima dos 40 mil megawatts, e mesmo assim já existem projectos para o aumento da capacidade energética.

Não estou em condições de fazer uma análise económica devido a falta de referencial em relação aos vários projectos energéticos desenvolvidos no Pais. Se considerarmos que Capanda (520MW) custou aos cofres do estado mais de 2,6 mil milhões de dólares e que Laúca está orçado em cerca de 3.7 mil milhões de dólares, então podemos aferir que seriam necessários grandes sacrifícios financeiros para alcançar tal objectivo.

Portanto, podemos concluir que temos muito trabalho a fazer, para que a produção e distribuição de energia em Angola seja uma realidade para todos os Angolanos.

A promessa eleitoral de energia para todos em 5 anos, feita por todos os partidos políticos angolanos, é simplesmente falsa…

Monday, 27 August 2012

GM instala sistema de painéis solares com 8.15 MW em Rüsselsheim


A General Motors instalou um sistema de painéis solares com uma potência de 8.15 megawatts na fábrica da Opel em Rüsselsheim

Esta é uma das maiores áreas de painéis solares na Europa e abrange o equivalente a 32 campos de futebol. Graças a ele serão geradas 7.300 mil kwh de energia para a fábrica e reduzir as emissões de CO2 em 3.150 toneladas por ano.
A energia elétrica é utilizada pela fábrica de Rüsselsheim para a produção de veículos e o excesso de energia será introduzido na rede pública de Stadtwerke Mainz.
A GM já tem painéis solares instalados nas fábricas em Kaiserslautern, na Alemanha, e Zaragoza, em Espanha. Todas as instalações, incluindo a mais recente, em Rüsselsheim, perfazem uma produção total de energia de 19.1kWh. Em conjunto permitem uma redução anual de 8.200 toneladas de emissões de CO2.
O grupo americano pretende ter 125 megawatts de energia renovável nas suas fábricas na Europa até 2020. As fábricas de Kaiserslautern e Saragoça têm duas das maiores instalações de painéis solares no telhado do mundo.
"Os projetos que empreendemos na Europa são grandes exemplos da forma como nós desenvolvemos práticas sustentáveis no nosso processo de produção. Procuramos oportunidades de utilizar energias renováveis ​​em todo o mundo para ajudar a limpar toda a rede, melhorar os nossos resultados e reduzir o nosso impacto no meio ambiente", referiu o Vice-Presidente de sustentabilidade da GM Mike Robinson.
 
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Consultoria e Prestação Serviços powered by Emméry Macedo - Engenheiro Eletrotécnico, BTECH, BEST CUM LAUDE, pela Durban University of Technology (DUT), Galardoado pelo Institute of Professional Engineering Technologists (IPET), Pos-Graduado em Gestão de Projectos pela Universidade de Liverpool; Bacharel em Ciências Matemáticas pela Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto de Angola, Professor de Matemática e Física pelo IMNE- Garcia Neto, Professor de Electrόnica de Potência da Universidade Metodista, membro do IET - Institution of Engineering and Technology MIET nº 91651226, membro da Ordem dos Engenheiros de Angola OEA nº 2924, com certificação em ETAP, SKM, HV Switching, SAEP, etc...

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